O que é aprendizado?

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O que é aprendizado?

Há um certo tempo durante a minha busca por pensamentos mais completos sobre o significado do aprendizado, conheci alguns alunos e fiz pequenas entrevistas com eles na tentativa de entender mais a forma singular de cada mente. As respostas em diversos lugares assumiram um padrão assustador, um padrão que seguia uma incerteza perene não muito incomum nos adultos. Um vazio parecia encobrir as monossílabas citadas rapidamente por cada reprimido aluno.

As perguntas foram: “Você gosta de sua escola? ” – sim; “Você gosta de estudar? ” – não; “Por que não gosta de estudar? ” – É difícil; “O que é difícil? ” – Não sei… estudar; “Estudar é difícil por que é chato ou por que você não consegue aprender? ” – Porque é chato; “O que você está estudando ultimamente? ” – Não sei; “Qual o seu assunto preferido? ” – Ah, aquele… não sei de cor.

Incrivelmente as perguntas eram respondidas assim, quase como uma programação bem-feita entre softwares de inteligência artificial. Mas essas respostas foram dadas por alunos de escolas públicas, os de escolas particulares não eram tão indecisos, porque já conheciam com força a superficialidade do ensino.

– Você gosta de estudar? – Perguntei sorridente na posição de professor particular.

– Sim. – Disse a criança rapidamente sem pensar.

– Por que você estuda?

– Para ser alguém na vida.

– Certo, e o que é ser alguém na vida?

– É ter um bom emprego.

– E você acha que ter um bom emprego é o suficiente para te deixar feliz ao estudar?

– Não.

– Então por que você estuda?

– Minha mãe diz que eu tenho que ser alguém na vida e quem não estuda não tem dinheiro.

Nesse momento a conversa já seguia para outros caminhos. Repeti esse questionário simples com outros alunos e as respostas foram muito parecidas. Todos seguiam o padrão imposto pelas circunstâncias de sua vivência. Os de escolas públicas não sabiam ao certo o que estavam a fazer, já conheciam o real descaso deixado para eles normalmente. Os de escolas particulares conheciam a superficialidade do ensino, que focavam em valores comerciais interessados apenas em um bom título sendo a felicidade resumida a milhares de peixes garantidos mensalmente.

O que é aprendizado?

Pois se você se encaixa nesses padrões, vejamos o que significa realmente estudar. Para começo de conversa vamos esclarecer que o “gostar de estudar” é subjetivo como a maioria das escolhas e sentimentos humanos, diferentes em diversas pessoas. O gostar de estudar não se resume a um aluno que dedica horas disciplinadas diárias em livros didáticos e exercícios constantes. Mas para entendermos isso é necessário chegarmos a conclusão do que significa o aprendizado. E como todo bom texto técnico, segue uma referência que define onde queremos chegar:

“Dentro de uma concepção pedagógica mais moderna, baseada na Psicologia Genética, a educação é concebida como a vivência de experiências múltiplas e variadas tendo em vista o desenvolvimento motor, cognitivo, afetivo e social do educando. Na sucessão de experiências vivenciadas, os conteúdos são o instrumento utilizado para ativar e mobilizar os esquemas mentais operatórios de assimilação. Nessa abordagem, o educando é um ser ativo e dinâmico, que participa da construção de seu próprio conhecimento. ”

                                                                                              Curso de Didática geral – Regina Celia C. Haydt.

Em um próximo trecho a autora completa com uma das frases mais autoexplicativas da história “educar é formar e aprender é construir o próprio saber”. Tendo isso em mente, o estudar se modifica e não se completa quando avaliamos a quantidade de conteúdo absorvido, pois é preciso um desenvolvimento amplo de “mudança e aquisição de comportamentos motores, cognitivos, afetivos e sociais”.

Aprender pode ser algo completamente proveitoso, com o que eu chamo de “Redirecionamento de motivos”. Tendo em vista que para cada ação, que realizamos conscientemente, precisamos de uma motivação. Motivos que ampliam o pensamento para uma resolução de tarefa com mais vontade. Dessa forma, um aluno que diz que não se interessa pelos estudos, na verdade ele não se interessa pelo padrão comum de memorização, porque o aprendizado se amplia em suas experiências, e o seu estudar pode estar sendo aplicado até mesmo nos momentos prazerosos de um jogo de futebol com os amigos.

De uma forma simples, gostar de estudar é como se fosse o “Gostar de ler” em que não existe um leitor que não goste de ler, apenas existe aquele que não se aventurou ou que não encontrou o seu gênero predileto. Depois continuaremos essa discussão em outros momentos.

Até a próxima e vamos conversando aí nos comentários.

 

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